Conformidade

Coleta seletiva: o que cada cor significa e o que cobram da sua empresa

O código de cores é resolução do CONAMA, mas a maioria das cidades recolhe em duas frações. Veja quantos cestos montar de verdade, o que a lei exige de quem gera o resíduo e como não comprar lixeira que ninguém usa.

Quase todo condomínio e toda empresa que resolve organizar a coleta seletiva começa pelo mesmo lugar: compra o conjunto de cinco lixeiras coloridas, instala no corredor e tira foto. Seis meses depois, as cinco têm a mesma mistura dentro e o caminhão leva tudo junto.

O erro não foi a compra. Foi comprar antes de saber o que a cidade recolhe.

O que a lei realmente cobra

Duas normas importam aqui, e elas fazem coisas diferentes.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) estabelece que quem gera o resíduo responde por ele até a destinação final adequada. Para empresa, isso vira duas obrigações práticas: separar reciclável de rejeito e conseguir comprovar para onde o material foi. Em auditoria, o que costuma faltar é a comprovação, não a lixeira.

A Resolução CONAMA 275/2001 é a que define as cores. É dela que sai o conjunto que todo mundo conhece.

O código de cores completo

CorResíduo
AzulPapel e papelão
VermelhoPlástico
VerdeVidro
AmareloMetal
MarromResíduo orgânico
PretoMadeira
LaranjaResíduo perigoso
BrancoResíduo de serviço de saúde
RoxoResíduo radioativo
CinzaMaterial não reciclável, misturado ou contaminado

Antes de decidir quantas dessas instalar, vale entender uma coisa que a tabela não conta.

Por que a maioria só precisa de duas

Separar em quatro ou cinco cores só faz sentido se alguém recolhe cada fração separada. Boa parte dos municípios brasileiros opera com duas: o seco, que junta papel, plástico, vidro e metal no mesmo compartimento, e o rejeito. A triagem fina acontece depois, na cooperativa.

Se esse for o caso da sua cidade, cinco cestos criam um trabalho que o caminhão desfaz. Dois cestos bem sinalizados funcionam melhor do que cinco mal usados.

A primeira ligação, então, não é para o fornecedor de lixeira. É para a prefeitura ou para a empresa de coleta, perguntando quantas frações eles recolhem e em que dias.

Quando vale separar mais

Há situações em que a separação fina se paga:

O caso do orgânico

Cozinha industrial, refeitório e restaurante geram muito resíduo orgânico, e é ele que gera a maior parte da reclamação: peso, chorume e cheiro. Duas decisões resolvem quase tudo.

Como escolher os cestos

Sabendo quantas frações a cidade recolhe, o resto é dimensionamento:

Por onde começar

Ligue para a coleta e descubra quantas frações saem da sua rua. Conte os pontos de descarte que existem de fato no prédio, não os que deveriam existir. Dimensione o volume pelo intervalo entre as retiradas. Só então compre, e compre a sinalização junto com o cesto.

Perguntas frequentes

Quantas lixeiras de coleta seletiva a minha empresa precisa ter?
Depende de quantas frações o serviço de coleta da sua cidade recolhe separadas. Onde a coleta é feita em duas frações, dois cestos bem sinalizados, um para seco e um para rejeito, funcionam melhor do que cinco cores que acabam misturadas.
O código de cores da coleta seletiva é obrigatório?
A Resolução CONAMA 275/2001 estabelece o padrão de cores para identificação dos coletores. A obrigação mais cobrada de quem gera o resíduo, prevista na Lei 12.305/2010, é dar destinação adequada e conseguir comprovar essa destinação.
Qual a cor da lixeira para resíduo orgânico?
Marrom, pelo padrão do CONAMA. Em cozinha e refeitório, o que mais importa na prática é que ela tenha tampa e pedal e que o saco aguente o peso do material.
Posso jogar papel engordurado na lixeira azul?
Não. Papel contaminado com gordura ou alimento perde valor para reciclagem e compromete o lote inteiro. Ele vai para o rejeito.

Conteúdo orientativo, baseado na Resolução CONAMA 275/2001 e na Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos). As regras de coleta variam por município: confirme com o serviço local quantas frações são recolhidas e em quais dias.

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